domingo, 15 de junho de 2014

Gostei de ler: "A deflação e os salários»

«A maior preocupação de curto prazo da zona euro está, neste momento, na pressão deflacionista, a ameaça de uma constante e perigosa baixa de preços que o chamado "arrefecimento" da economia pode provocar. O perigo, dizem uns, será uma queda no consumo pelo efeito indirecto dessa baixa de preços. Porquê? Porque essa queda de preços resulta, em primeiro lugar e em correspondência, numa queda de rendimentos de quem vende. Por causa dessa perda de lucros os produtores decidem efectuar despedimentos, o que coloca mais pessoas em situação de não consumirem. Como há menos consumidores, há nova baixa de preços, criando-se assim um círculo vicioso na economia.

Há quem, pelo contrário, não veja na deflação a existência de um grande problema se ela resultar de um mero ajuste natural do mercado em resposta a distorções provocadas anteriormente, por exemplo, em situações de crédito fácil prolongado ou por causa de políticas de Estado de investimento em infra-estruturas sem real efeito de crescimento económico, duas situações identificadas como ocorridas em Portugal .

Há muitos economistas preocupados com os problemas da deflação e o Banco Central Europeu tem tomado medidas para a evitar. Mas, curiosamente, há muito poucos economistas preocupados com a degradação salarial, deliberadamente provocada pelas medidas de austeridade e que o Banco de Portugal agora quantificou: o poder de compra da maioria dos assalariados portugueses está ao nível de 2005 e nos funcionários públicos salta mesmo para os níveis de 1997. Como é que os preços em Portugal, face a esta degradação que, necessariamente, diminui o dinheiro em circulação no nosso país, podem fugir a um estágio deflacionário? Eis uma bela questão.» – DN (editorial).

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